quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
"Not all those who wander are lost"
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Sobre 2015 e a volta dos que nunca foram
E 2015 passou inteirinho sem que eu postasse uma linha aqui.
Mas, na boa: 2015 foi um ano bem filho da puta. E não vem com essa de "o problema não é o ano, é você, kiridinha", porque não é.
Ano passado aconteceu muita merda no mundo (como nos outros anos, vai), mas parece que a mídia e as redes sociais e o " Grande Irmão " quiseram tornar tudo maior e pior e mais catastrófico. E de repente parece que todo mundo tem opinião formada sobre tudo, e não tem mais diálogo porque ou você é petralha ou coxinha ou fanboy ou hater ou do bonde dazinimiga.
Mas já nem me lembro de muita coisa, e o que passou já não importa. Ficou quem tinha que ficar, foi quem tinha que ir. Meu Gizmo foi pro céu dos gatos. Meu namoro amadureceu e virou casamento. Joguei The Witcher 3. Passei várias madrugadas em companhia da Netflix. Voltei a frequentar botecos e a trabalhar com registro em carteira. Aprendi a cozinhar e a fazer mercado sem ser pra comprar gordice. Conheci gente nova, algumas legais, outras pau-no-cu. Mandei nudes, mandei à merda. Tive medo de perder e não perdi, perdi sem medo de perder e nem senti. Senti saudade, chorei, bebi, ouvi Amy Winehouse e passou. E quando 2016 chegou, eu tava trabalhando, brindei com Cidra Cereser com gente de quem não gosto e nem prestei atenção no brinde da minha chefe porque tava pensando em...Sei lá no que eu tava pensando. Eu olhava pro céu, pro meu copo de plástico com cidra...Foi o único desfecho plausível pra 2015.
E agora que eu dormi o fim de semana inteiro, ao invés de pensar em resoluções de Ano Novo, tô aqui assistindo filme do Woody Allen e criando coragem pra fazer faxina antes de ir pro trabalho.
Fora o show dos Stones em fevereiro, não tenho ideia do que 2016 reserva pra mim. E aí sim entra a parte do "não é o ano, é você". Apesar das pessoas, vou continuar tentando ser melhor do que fui em 2015. E não porque fiz uma lista, mas sim porque é a ordem natural das coisas: você é jovem e não sabe nada, vai aprendendo, melhorando como ser humano, fica velha, e quando finalmente tava começando a entender as paradas... Morre.
Tenho, sim, planos, objetivos...whatever you name it. Mas vai rolar quando tiver que rolar, e a mim só resta lidar com o que a vida for me dando, tipo o mestre tartaruga lá do Kung Fu Panda fala pro mestre Shifu dando o exemplo do pêssego. E o Tom Hanks náufrago, que teve que esperar anos pra que a maré trouxesse material bacana pra ele usar na jangada e sair da ilha. Tanto exemplo daora que os filmes dão e a gente ainda fica na merda por bobagem, não é mesmo?
Vai, 2016: traz o que tiver que trazer. Pode demorar você todinho, mas eu aprendo como lidar/usar. Tá, kiridinho?
domingo, 18 de maio de 2014
"Eu hoje joguei tanta coisa fora...
Arquivei muito texto besta do blog porque é sobre gente que foi embora e a casa fica bem melhor assim. E fiquei muito tempo sem escrever aqui porque tava [e ainda tô] pensando em que rumo tomar, que destino dar pra esse blog, pra minha carreira, pra minha vida...
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Domingos com Roberto
domingo, 22 de dezembro de 2013
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Cry to me
sábado, 14 de dezembro de 2013
Guia felino para cuidar de humanos
Nossos problemas acabaram!
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Beijo na testa e gozada na cara
"Barbara, acho que você mesma apontou a conclusão. Você é romântica, como a maioria das pessoas de nossa época e lugar. No modelo de amor do romantismo, que predomina nossa sociedade, amor e paixão são conceitos indissociáveis. Há quem o chame de "amor-paixão" Procuramos Um Grande Amor, A Metade da Laranja; e essa pessoa deve necessariamente aquela por quem sentiremos O Grande Tesão, uma atração irresistível. Mas será mesmo que as pessoas por quem sentimos O maior Tesão, é a mesma com quem queremos compartilhar uma casa, criar uma criança juntos? Na vida "vida real", nosso carinho, companheirismo, cuidado mútuo - características que atribuímos ao Amor - muitas vezes estão dissociados com tesão, desejo, fetiche, paixão da mesma forma que no modelo romântico. A grande questão é que temos poucos referenciais de amor que não se enquadre no modelo romântico. A maioria dos filmes, seriados, novelas - que servem de modelo para nosso comportamento social - seguem a linha romântica. Daí a dissociação entre o que esperamos sentir e o que verdadeiramente sentimos; gera um descompasso, um desconforto..."
Quero alguém com quem eu possa conversar sobre tudo, e o tempo passe tão rápido que a gente nem se dê conta de estamos falando há horas. Quero um "Antes do Amanhecer".
Provavelmente, nunca vou experimentar nenhum dos dois: nem a sensação de andar nas nuvens dos relacionamentos de filmes românticos, nem a realidade nua e crua dos relacionamentos pé-no-chão. Nem nunca vou entender o que me faz estragar tudo sempre. A Superinteressante já tinha me avisado que filmes românticos estragam nossas vidas, e talvez eles façam mesmo a gente criar expectativas demais e complicar demais o que era pra ser simples. Mas na real? As histórias podem até ser bobinhas e cheias de clichês cafonas, mas as trilhas sonoras são maravilhosas.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
A chatice dos "ismos" (e ódio, sexo, mentiras & videotape no Facebook)
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| Fonte: Arte Destrutiva |
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Lenda
"Abel e Caim encontraram-se depois da morte de Abel. Caminhavam pelo deserto e reconheceram-se de longe, porque os dois eram muito altos. Os irmãos sentaram-se na terra, acenderam um fogo e comeram. Guardavam silêncio, à maneira das pessoas cansadas quando declina o dia. No céu assomava uma estrela que ainda não tinha recebido seu nome. À luz das chamas, Caim percebeu na testa de Abel a marca da pedra e deixou cair o pão que estava prestes a levar à boca e pediu que lhe fosse perdoado seu crime.
– Tu me mataste ou eu te matei? – Abel respondeu. – Já não me lembro; aqui estamos juntos como antes.
– Agora sei que me perdoaste de verdade – disse Caim –, porque esquecer é perdoar. Procurarei também esquecer.
– É assim mesmo – Abel falou devagar. – Enquanto dura o remorso, dura a culpa."
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Cisne Negro
Momento "frase para Facebook"
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
A ignorância é atrevida, arrogante etc.
"Há alguns dias, recebi mensagens de leitores que me pediam comentários sobre um trecho da entrevista concedida a um jornal capixaba por Sheila Ramos Vieira, que estuda medicina em Cuba. O trecho que motivou as mensagens é este: "No Brasil, com certeza, seria muito difícil para mim fazer um curso de medicina".
Quase todas as mensagens dos leitores citavam as "redes sociais", nas quais a frase da nossa estudante de medicina causava manifestações de alto grau de sentimentos primitivos (o ínclito filósofo Roberto Jefferson que me perdoe por roubar-lhe o nobre pensamento, expresso por ele em relação a José Dirceu quando denunciou o esquema do mensalão).
Costumo fazer o que me pede um dos meus filhos ("Não leia os comentários das notícias, pai; não envenene o fígado e a alma"). De fato, não fui atrás, porque o que foi transcrito nas mensagens que recebi bastava.
Os "especialistas" em língua portuguesa disseram o diabo sobre o "nível" da futura médica ("Como uma analfabeta pode ser médica?" e besteiras afins). Nem preciso comentar o aspecto ideológico desse besteirol, certo?
Posto isso, vamos nos concentrar na estrutura sintática da frase atribuída a Sheila. Vamos repetir a construção: "No Brasil, com certeza, seria muito difícil para mim fazer um curso de medicina". Nas mensagens perpetradas nas redes sociais pelos "especialistas" em língua portuguesa, condena-se veemente e rispidamente o "erro" no emprego do pronome oblíquo "mim", posto antes de "fazer", verbo no infinitivo.
Mas quem foi que disse que esse tipo de problema se resolve pela posição dos termos? Quer dizer que não se pode, de jeito nenhum, usar o pronome "mim" ao lado de um infinitivo?
O problema não é de lugar, de posição; o problema é mesmo sintático (morfossintático, para ser mais preciso). Na língua culta, o pronome "mim" não funciona como sujeito, o que explica por que nesse registro não ocorrem construções como "Ela fez o possível para mim ficar aqui". Nesse caso, no lugar de "mim", ocorre o pronome reto "eu", que funciona como sujeito de "ficar".
É muito fácil perceber por que esse "eu" é sujeito de "ficar". Um dos caminhos é trocar "eu" por "nós" ou "eles", isto é, por um pronome reto plural. O que acontece com o verbo? Varia: "Ela fez o possível para nós ficarmos/para eles ficarem aqui". Outro caminho é trocar "para" por "para que": "Ela fez o possível para que eu ficasse aqui". Percebeu? O pronome "eu" permanece na frase, agora como sujeito de "ficasse".
Na frase de Sheila, o que há é apenas o emprego dos termos na ordem indireta, o que faz o pronome "mim" encostar em "fazer", o que, para os afoitos, já basta como prova do "erro". Não há erro algum, caro leitor. Esse "mim" é "mim" mesmo, já que não está ligado ao verbo "fazer", por isso não pode ser o seu sujeito. Esse "mim" está ligado ao adjetivo "difícil" ("tal coisa é difícil para alguém").
Vamos dispor os termos em outra ordem? Vamos lá: "Fazer um curso de medicina no Brasil com certeza seria muito difícil para mim". E agora? Alguém se atreveria a trocar esse "mim" por "eu"? Algum dos nobres "especialistas" diria "Fazer um curso de medicina no Brasil com certeza seria muito difícil para eu"? Francamente...
Em tempo: o "corretor" do Word também mete os pés pelas mãos... Rarará! Na frase de Sheila, o dito grifa o pronome "mim" (o grifo some quando se troca "mim" por "eu").
Não há erro algum na frase da nossa futura médica. O erro está na prepotência, na ignorância e na arrogância dessa turba raivosa. É isso."
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Earworm
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Travessuras da Menina Má
"Cheguei à Ponte Mirabeau literalmente ensopado. Eu nem tinha notado que estava chovendo. Por ali não passavam pedestres nem carros. Avancei até o meio da ponte e sem hesitação me encarapitei na grade metálica, onde, já me preparando para pular - juro que ia fazê-lo -, senti um golpe de vento no rosto e, ao mesmo tempo, duas manzorras que abraçavam as minhas pernas, puxavam e me faziam cambalear e cair de costas, no asfalto da ponte:
- Fais pas te con, imbécile!
Era um clochard que cheirava a vinho e sujeira, meio perdido dentro de um grande impermeável de plástico que lhe cobria a cabeça. Tinha uma barba enorme, de uma cor entre cinza e esbranquiçada. Sem me ajudar a levantar, pôs a garrafa de vinho na minha boca e me fez tomar um gole: era uma coisa quente e forte, que me sacudiu as vísceras. Um vinho passado, quase vinagre. Tive ânsias de vômito mas não vomitei. Fais pas te con, mon vieux - repetiu. E, dando meia-volta, se afastou trôpego com sua garrafa de vinho azedo balançando na mão. Percebi que nunca mais esqueceria aquela sua cara amorfa, aqueles olhos arregalados e congestionados e sua voz rouca, humana.
Voltei caminhando para a rue Joseph Granier, rindo de mim mesmo, cheio de gratidão e admiração por aquele vagabundo bêbado da Ponte Mirabeau que tinha salvado a minha vida. Eu ia pular, certamente teria pulado se ele não me impedisse. Estava me sentindo estúpido, ridículo, envergonhado, e tinha começado a espirrar. Toda aquela palhaçada barata ainda ia terminar num resfriado. Os ossos das minhas costas doíam com a pancada no chão e eu só queria dormir, dormir o resto da noite e da vida. Ao abrir a porta do apartamento vi um fiozinho de luz lá dentro. Atravessei a salinha de jantar em dois pulos. Da porta do quarto divisei a menina má, de costas diante do espelho da cômoda, experimentando o vestido de bailarina árabe que eu tinha comprado no Cairo e que ela certamente nunca usara. Deve ter me ouvido chegar, mas não se virou. Era como se um fantasma houvesse entrado no quarto.
- O que está fazendo aqui? - disse, gritei ou rugi, paralisado na entrada, sentindo que minha voz soava muito estranha, como a de um homem sendo estrangulado.
Com muita calma, como se nada estivesse acontecendo e toda aquela cena fosse a coisa mais corriqueira do mundo, a figurinha morena, seminua, envolta em véus, de cuja cintura caiam umas fitas que podiam ser de couro ou correntinhas, virou-se de lado e olhou para mim, sorrindo:
- Mudei de idéia e estou de volta. - Falava como se me contasse uma intriga de salão. E, passando para coisas mais importantes, apontou o vestido e explicou: - Estava um pouco grande, mas acho que agora ficou bem. Como cai em mim?
Não pôde dizer mais nada porque eu, não sei como, atravessei o quarto num pulo e a esbofeteei com todas as minhas forças. Vi um brilho de pavor nos seus olhos, vi que ela oscilava, tentava se apoiar na cômoda, caia no chão e depois dizia, ou talvez gritasse, sem perder totalmente a serenidade, aquela sua calma teatral:
- Você está aprendendo a tratar as mulheres, Ricardito.
Eu tinha caído no chão junto com ela e a sacudia pelos ombros, enlouquecido, vomitando meu despeito, minha fúria, minha estupidez, meus ciúmes:
- Eu só não estou agora no fundo do Sena por milagre, e a culpa é sua, só sua - as palavras se atropelavam na boca, minha língua travava. - Nestas últimas 24 horas você me fez morrer mil vezes. De que está brincando comigo?, diga. Foi para isso que me ligou, que me procurou, quando eu já tinha me libertado de você? Até quando acha que vou agüentar? Eu também tenho meus limites. Dá vontade de matar você.
Nesse momento percebi que, de fato, poderia matá-la se continuasse sacudindo a menina má daquele jeito. Assustado, soltei-a. Ela estava lívida e olhava para mim, de boca aberta, protegendo-se com os braços levantados.
- Não estou reconhecendo, este não é você murmurou, e sua voz sumiu. Começou a massagear a bochecha e a têmpora direita que, à meia-luz, pareciam inchadas.
- Estive a um triz de me matar por sua causa - repeti, com a voz impregnada de rancor e de ódio. - Subi no parapeito da ponte para me jogar no rio e um clochard me salvou. Um suicida, era o que faltava no seu currículo. Você pensa que vai continuar brincando assim comigo? Parece que só matando um de nós dois vou conseguir me libertar para sempre.
- Mentira, você não quer se matar nem me matar - disse, arrastando-se na minha direção. - Você quer é trepar comigo. Não é mesmo? Eu também quero. Ou, se esse termo o incomoda, quero que faça amor comigo. Era a primeira vez que ouvia esse palavrão na sua boca, um verbo que não escutava fazia séculos. Ela tinha se erguido um pouco para se acomodar nos meus braços e apalpava a minha roupa, escandalizada: "Você está todo encharcado, vai pegar um resfriado, tire logo essa roupa molhada, bobinho."
"Se você quiser, me mata depois, mas faça amor comigo, agora mesmo." Tinha recuperado a serenidade e agora já era dona da situação. O coração quase me saía pela boca, eu mal podia respirar. Pensei que seria idiota ter um ataque justamente nesse momento. Ela me ajudou a tirar o paletó, a calça, os sapatos, a camisa - tudo parecia ter saído de dentro d'água - e, enquanto isso, passava a mão pelo meu cabelo na estranha, única carícia que às vezes se dignava a me fazer. "Como bate o seu coração, bobinho", disse, instantes depois, encostando a orelha no meu peito. "Fui eu que deixei você assim?" Eu também tinha começado a acariciá-la, antes mesmo de ter dominado a raiva. Mas esse sentimento se misturava agora com um desejo crescente que ela atiçava - tinha tirado o vestido de bailarina e me enxugava, deitada em cima de mim, movendo-se sobre o meu corpo - enfiando a língua na minha boca, fazendo-me engolir sua saliva, apanhando meu sexo, acariciando-o com as duas mãos e, por fim, encolhendo-se como uma enguia sobre si mesma, levando-o à boca. Eu a beijei, acariciei e abracei sem a delicadeza das outras vezes, mas com rudeza, ainda ferido, dolorido, e por fim obriguei-a a tirar o meu sexo da boca e ficar embaixo de mim. Abriu as pernas, docilmente, quando sentiu que meu membro rígido lutava para entrar nela. Penetrei-a com brutalidade e a ouvi uivar de dor. Mas não me rejeitou e, com o corpo tenso, esperou, soltando queixumes, gemendo baixinho, que eu ejaculasse. Suas lágrimas molhavam a minha cara e eu as lambia. Ela estava extenuada, com os olhos arregalados e o rosto transfigurado de dor.
- É melhor você ir embora, sumir de verdade - implorei, tremendo dos pés à cabeça. - Hoje estive a ponto de me matar, e depois quase matei você. Não quero isso. Vá, procure outro, alguém que faça você viver intensamente, como Fukuda. Alguém que chicoteie você, que a empreste para seus asseclas, que a faça engolir pós e depois soltar peidos no seu focinho imundo de porco. Você não foi feita para morar com um santarrão chato feito eu. Ela havia passado os braços em volta do meu pescoço e me beijava na boca enquanto eu falava. Todo o seu corpo se movia para ajustar-se mais ao meu.
- Não vou embora, nem agora nem nunca - sussurrou no meu ouvido.
- Não me pergunte por quê, não vou dizer nem morta. Jamais vou dizer que amo você, por mais que ame.
Nesse momento devo ter desmaiado, ou dormido de repente, mas já desde suas últimas palavras eu sentia que as forças me abandonavam e tudo começava a girar. Acordei muito depois, no quarto às escuras, sentindo uma forma morna metida dentro de mim. Estávamos deitados, debaixo dos lençóis e cobertores, e pela clarabóia do teto vi umas estrelas cintilando. Havia parado de chover há muito tempo, sem dúvida, porque os vidros já não estavam embaçados. A menina má continuava grudada no meu corpo, com as pernas enredadas nas minhas e a boca encostada na minha bochecha. Senti seu coração; pulsava, compassado, dentro de mim. A cólera havia evaporado e eu agora estava cheio de arrependimento por tê-la agredido e magoado, apesar de amá-la. Beijei seu rosto com ternura, tentando não acordá-la e sussurrei bem baixinho em seu ouvido: "Amo você, amo você, amo você." Não estava dormindo. Apertou-se contra mim e disse, colocando os lábios sobre os meus, enquanto sua língua bicava a minha entre uma palavra e outra:
- Você nunca vai viver sossegado comigo, estou avisando. Porque não quero que você se canse de mim, que se acostume comigo. Vamos nos casar para arrumar meus papéis, mas nunca serei sua esposa. Quero ser sempre sua amante, sua cachorra, sua puta. Como esta noite. Porque assim vai ficar sempre louquinho por mim.
Falava essas coisas me beijando sem trégua e tentando se meter inteira dentro do meu corpo."
domingo, 17 de novembro de 2013
Old but Gold: Dalí meets Disney
Fonte: Superinteressante"Ainda tem muita gente que acha que animação é coisa de criança e que ir ao cinema pra ver um desenho da Pixar é perda de tempo. Se você está nessa turma, primeiro, meus pêsames. Segundo, não deixe de conferir a dica de hoje.
Pra começar, uma breve aula de arte sobre Salvador Dalí. Se você conhece o cara, pode pular pro próximo parágrafo, mas, se não é o caso, saiba que o pintor espanhol é o nome mais conhecido do surrealismo, vertente artística que envolveu escultura, pintura, literatura e até cinema. Sem grandes regras, esse tipo de arte é focado no impossível e no improvável, materializando imagens e ideias que costumam habitar o mundo dos sonhos.
Agora que você já sabe disso, vem a dica. Em 1945, Dalí começou uma parceria com Walt Disney para criar um desenho aos moldes do clássico Fantasia, chamado Destino. A história, segundo Dalí, era “uma exposição mágica sobre o problema da vida no labirinto do tempo”. Já segundo Disney, era sobre “uma garota em busca do amor”. Vê-se bem a diferença entre os dois.
O animador responsável pelo projeto era John Hench, que trabalhou em clássicos imortais como Peter Pan, Alice no País das Maravilhas e no próprio Fantasia. No entanto, apesar do time mais que ilustre, o projeto foi adiado por causa da crise financeira da época. Só que, em 1999, começaram os planos de concretizar a animação.
O produto final, um curta de mais ou menos 6 minutos, estreou em 2003 e contém os 17 segundos da animação original da década de 50 (o trecho das tartarugas). O filme concorreu ao Oscar de curta de animação em 2004, mas não levou a estatueta.
Mesmo que a Academia não tenha premiado a obra póstuma de Dalí e Hench, não tem como negar que Destino é uma obra de arte. Confira abaixo (esperamos que você saia daqui adorando animação)."



